Velames Retangulares e Elípticos – Comparações e Dirigibilidade

O que quer dizer “GLIDE RATIO”, “WING LOAD”, “ZP” e outros palavrões afins…

COMO É QUE SE COMPARA UMA CALOTE RETANGULAR ZP COM UMA ELÍPTICA?

COMO É QUE POSSO SABER SE A ELÍPTICA RODA MAIS RÁPIDO E PERDE MAIS ALTURA NESTA MANOBRA?

NECESSITO DE COMPARAR UMA ASA 150 ft.q. RETANGULAR COM UMA ELÍPTICA DE 170 ft.q. COMO POSSO COMPARAR AS DUAS?

Vamos começar por conhecer o significado de algum “palavrões” usados no paraquedismo e algumas das principais unidades e sua conversão:

Comprimento: 1 pé (ft) = 30,48 cm

Area: 1 metro quadrado = 10,76 pés quadrados (ft.q)

Massa: 1 Kg = 2,2 Libra (lbs)

 

skydiving-11[1]

 

GLIDE RATIO (GR) é um termo muito usado e que pretende designar o deslocamento da calote para a frente e descendo. Quando se diz que o GR é de 3:1, significa que esta calote em particular se desloca 3 ft (pés) para a frente por cada 1 ft (pés) que desce na vertical.

Comprimento: 1 pé (ft) = 30,48 cm

O GR determina-se medindo-o durante um salto. Os engenheiros desenvolveram várias formas de o fazer, umas mais técnicas que outras, mas não necessáriamente mais precisas umas ou outras. As asas usadas no pára-quedismo têm um GR entre os 2:1 até 3,5:1.

As calotes com grande envergadura mas pouca profundidade (envergadura = largura de um lado ao outro / profundidade = distância do bordo de ataque (nariz) ao bordo de fuga (cauda)) tendem a deslizar mais que as calotes mais aproximadas da forma rectangular pura.

As variações ao peso suspenso numa calote não altera o seu GR. Se você está em à procura de uma calote para comprar, ignore os números de GR fornecidos pelos fabricantes. A maioria são estimativas optimistas, inflaccionadas para tentar bons resultados no mercado de vendas.

WIND LOADING (WL) (carga da asa) é o peso total suspenso nesta, ou seja, o peso total do saltador (mais o equipamento, chamado “peso à saída”) dividivo pela área da calote. desta forma, uma calote de 120 ft.q. em voo com um saltador de 150 lbs. com 30 lbs. de roupa e equipamento terá um WL de 1.5 lbs. por ft.q., ou apenas 1.5. É matemática pura: (150 lbs + 30 lbs)/120 ft.q. = 1.5 lbs. p/ ft.q.

Area: 1 metro quadrado = 10,76 pés quadrados (ft.q)

Massa: 1 Kg = 2,2 Libra (lbs)

As performances da calote – velocidade e voltas – aumenta com o aumento do WL. O ângulo de descida (glide angle) mantem-se o mesmo, mas a razão de descida aumenta. Duas calotes do mesmo modelo mas de tamanhos diferentes voaram da mesma forma se tiverem a mesma carga proporcional.

Por exemplo, uma calote de 170 ft.q. (pés quadrados) do modelo X (X170) com um saltador de 225 lbs. (libras) , comporta-se e aterra como uma calote de modelo X de 120 ft.q. com um saltador de 150 lbs.; ambas têm um WL de 1.5. (Em ambos os casos se atribuiu 30 lbs. para roupas e equipamento).

O cálculo do WL é util para relacionar o saltador com a calote.

Os alunos normalmente usam calotes suficientemente grandes para de forma a proporcionar-lhes um WL de 0.8 ou menos. Os saltadores intermédios voam confortávelmente com WL até 1.0. Uma calote com um WL de 1.0 requer já um trabalho mais concentrado tanto no seu controle como na aterragem.

Os fabricantes publicam o máximo e mínimo peso suspenso para cada tipo e tamanho de calote que produzem. A partir do momento em que um peso é relacionado com uma calote de um tamanho específico, indirectamente estão a informar o WL recomendado para essa calote.

Não é propriamente perigoso “carregar” uma calote principal com cargas fora da margem recomendada pelo fabricante (Este princípio não se aplica aos reservas – estes são um caso diferente!). Uma calote SUB carregada pode ser lenta e “aborrecida”, e pode não realizar um bom flare quando se efectua a aterragem. As coisas tornam-se mais importantes se a calote estiver SOBRE carregada. Provavelmente abrirá e voará melhor, mas a resposta ao controle será mais brusca e o saltador perderá muitaa altura em cada volta.

As calotes excessivamente SOBRE carregadas dificilmente aterraram de forma graciosa. A ideia é tocar o solo com o mínimo de velocidade horizontal e vertical. Reduzir a velocidade de descida na aterragem é relativamente fácil – o saltador apenas efectuará o flare a partir do voo integral e convertirá alguma da velocidade horizontal em sustentação. Mas uma calote SOBRE carregada enytrará em perda antes de reduzir a velocidade de deslocamento do saltador. Aterrar de nariz ao vento, obviamente ajuda, tal como ajuda aprendar como efectuar uma “surf landing” ( a calote “perde” momentaneamente o peso suspenso durante o surf , a velocidade de entrada em perda diminui e a calote continua a voar).

A dúvida parece no entanto rondar sobre a comparação de uma calote de 150 ft.q. e uma eliptica de 170 ft.q. Comparada com as calotes rectangulares, as elipticas rodam mais rápido mas abrem de forma mais “pobre”. Muitos saltadores acham que as calotes el´pticas são muito nervosas logo desde a abertura. Algumas “encharutam” (mantêm-se algum tempo em “charuto”). Quase nenhuma abre alinhada (on heading) independentemente da forma como são dobradas e do que dizem os fabricantes.

Os enrolamentos, que normalmente não acontecem nas asas normais, resultam regra geral em corte de suspensão quando sucedem em calotes elipticas de pequenas dimensões. Um “prémio” para quem se encontra sob ou ao lado dela.

Alguns saltadores que saltam normalmente com calotes elipticas, optaram por tentar controlar as calotes durante a insuflação com as pernas, para as tentar manter no eixo (on heading). Esta técnica parece reduzir mas não eliminar as aberturas fora do eixo (off heading) e os enrolamentos.

As calotes rectangulares ZP (Zero Porosity = porosidade zero) tendem a abrir de forma mais previsível, mas ocasionalmente “proporcionam” violentos choques de abertura sem razão aparente. As calotes ZP elipticas vão mais longe: costumam fazê-lo frequentemente.

Não pensem que as calotes de 7 células escapam. Recentemente contactei com um saltador de Indiana (E.U.A.) que perdeu um mês de trabalho devido a lesões contraídas quando a sua calote ZP de 7 células abriu de forma violenta rebentando 4 cordões.

Aterrar com uma calote rectangular é mais fácil porque o flare requer menos atenção. A calote é mais permissiva à reacção mais lenta ou mais rápida para efectuar o flare. Mas se o saltador está desejoso de aprender a voar a calote até tocar o solo, ele aterrará melhor com uma eliptica.

Um saltador quando procura uma calote no mercado, normalmente não se preocupa tanto com as características dela (tamanho, número de células, Aspect Ratio, tipo de fabrico etc) mas mais com a reputação desta. Algumas calotes que se apresentam bonitas e bem apresentadas nos catálogos, resultam intoleráveis e cheias de “truques”, enquanto outras menos badaladas apresentam excelentes performances mantendo os seus utilizadores felizes durante centenas de saltos. Muitos saltadores não se contentam efectuando descidas normais, tal como muitos condutores não pretendem carros lentos e pouco nervosos.

Assim que o saltador definir a sua procura e a reduzir a um certo tipo de calotes, deverá dispender um fim de semana saltando com as mais promissoras. Isto pode representar viajar de um centro para outros. Deverá realizar pelo menos 3 saltos com as que se apresentam favoritas na escolha e planear aberturas altas para ter mais tempo de avaliar a sua escolha. Muitos fabricantes e representantes de material possuem programas de demonstração que lhe permitem experimentar antes de comprar. Tire partido disso.

Será uma boa ajuda receber treino específico sobre o controle de calote, ministrado por alguém que saiba como ensinar. O problema será encontrar um instrutor capaz.

2 vídeos que o podem auxiliar: “Fly like a pro” da Pier Productions e o “Skydive 150: Basic canopy flight” da Skydive University, com um baixo custo e informação de qualidade.

Em setembro de 97 a PIA (Parachutes Industry Assiciation) referiu as suas preocupações sobre o facto de os ultimos tempos terem sido negativamente relevantes em relação ao numero de mortos e feridos com gravidade resultantes de aterragens violentas, com saltadores de experiência intermédia e bastante experimentados. A organização formalmente questionou a U.S.P.A. (United States Parachutes Association) sobre a implementação de um esquema de condução e treino dos saltadores na condução e controle de calotes.

Não se esqueça que:
“Há alguns anos, os pára-quedistas eram essencialmente passageiros sob calotes hemisféricas descendo para o solo. Hoje são pilotos. E como todos os pilotos, necessitam de treino para voar as suas máquinas”

Fonte: MTF – Skydiving #200
Tradução: Paulo Moreira da Silva

2 thoughts on “Velames Retangulares e Elípticos – Comparações e Dirigibilidade

    • Francisco Carlos em

      PRA QUEM JÁ SABIA VALEU POR RELEMBRAR E PRA QUEM NÃO SABIA VALEU POR APRENDER. ÓTIMA MATÉRIA.

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