CUIDE-SE! – MANTENHA SEU PREPARO FÍSICO EM DIA

0
  Sem categoria



SAIBA MAIS SOBRE OS PRINCIPAIS BENEFÍCIOS DAS ATIVIDADES FÍSICAS

A condição física é atributo relevante para um pára-quedista e fator básico para o seu rendimento e prevenção de acidentes. Contudo, na maioria dos casos, a importância desse preparo físico não é levada em consideração pelo atleta, graças à crença do pouco uso da chamada “força muscular” na execução dos movimentos em queda livre, navegação e pouso.



Depois de um número significativo de saltos, pára-quedistas queixam-se de dores musculares. A força da gravidade os puxa para baixo e, apesar de muitos não acreditarem, está sendo feito aí um trabalho muscular. Que existem exceções, como nos casos em que o atleta simplesmente se deixa cair. Mas não é este o objetivo da queda livre.



Até mesmo os que não têm posição adequada para a queda, por ainda não terem aprendido a voar, exercitam força muscular e flexibilidade, quando tentam corrigir alguma falha.



Tomemos como exemplo o astronauta que permanece prolongados períodos na ausência da gravidade. A conseqüência é que seus tecidos musculares sofrem perdas rápidas e consideráveis. Isso acontece porque não existe um trabalho de esforço, devido à inexistência desta gravidade.



Este exemplo serve para provar que existe um trabalho em queda livre bastante significativo e que as dores que ocorrem após os saltos são conseqüências de um trabalho de esforço, realizado contra esta força de gravidade. Durante o salto, o atleta trabalha o tempo todo, variando o estado de contração muscular de acordo com o movimento. Ex: selando, fazendo arco reverso e giros. Sabem do que estou falando, especificamente, os cameramen, skysurfers, tandem pilots, freeflyers, entre outros.



Pára-quedistas com maiores reservas de energia e melhor preparo físico resistem mais facilmente a esta tensão. E por períodos mais longos. Estes reagem mais rapidamente quando, finalmente, se sentem afetados. Os que possuem um nível elevado de aptidão física, invariavelmente, têm uma reação mais rápida do que os outros. Um atleta fatigado tende a aceitar padrões inferiores, comete mais erros e reage mais lentamente nas emergências.



Tal fadiga é compatível com o nível de preparo físico. A velocidade de reação em uma queda livre, em casos de emergência, é fator fundamental, podendo até ser fatal. Foi constatado em pesquisas científicas que esta velocidade de reação é treinável por meio do exercício físico. Sobretudo no exercício anaeróbio e proprioceptivo, que é a capacidade de resposta do músculo, em articular-se rapidamente, diante da adversidade biomecânica.







À medida que os movimentos se tornam mais rápidos em nossa queda livre e o ar se torna rarefeito pela altitude, o cérebro é privado de oxigênio. O sangue, que é responsável pelo transporte do mesmo aos órgãos e músculos, em caso de movimentos muito rápidos, é lançado para as extremidades do corpo, principalmente, em uma queda livre descontrolada e de alto giro. Isso pode levar o atleta a um desmaio.
No entanto, um corpo bem condicionado fisicamente tem a capacidade de lutar contra a estagnação de sangue, fazendo-o voltar ao coração para ser levado ao cérebro e, conseqüentemente, aos tecidos, reduzindo, em muito, a possibilidade de o atleta ter a conhecida hipóxia e descompressão súbita produzindo a primeira, um imediato débito de oxigênio, levando ao desmaio.



Saltos em grandes altitudes expõem o pára-quedista a uma situação em que a pressão do oxigênio é insuficiente para satisfazer às necessidades do organismo. Que relação há entre grandes altitudes e boa condição física? Grandes altitudes são perigosas em vários sentidos, pois são acompanhadas da leve sensação de bem estar, em função do déficit de oxigênio e da conseqüente perda dos sentidos.



Quando o suprimento de oxigênio diminui ou é cortado, os tecidos do corpo sentem este déficit, principalmente o tecido cerebral, por ser mais vulnerável. Diminuem-se as respostas motoras, predispondo o atleta às lesões musculares com mais facilidade. Tudo isso acontece em frações de segundos.



Outro agravante está relacionado com o percentual de gordura do corpo. O tecido gorduroso tem capacidade de armazenar e reter uma quantidade muito grande de nitrogênio (é sabido que nitrogênio é pouco útil ao organismo).



Conseqüentemente, a suscetibilidade a desmaio é muito maior em pessoas obesas, fumantes e não amantes de exercícios físicos.



Cerca de 79% do que respiramos é nitrogênio, logo, precisamos eliminar a gordura de nosso corpo por meio do exercício físico, evitando esta retenção. Nossa alimentação também é de suma importância. Exames periódicos são aconselháveis e, se possível, siga a orientação de um bom nutricionista.



É importante buscar a orientação de um profissional da área na dosagem de nossos exercícios aeróbicos e anaeróbicos, criando, desta maneira, reservas oxigênicas, músculos fortes e, principalmente, condição fisiológica.



Exercícios físicos também ajudam no fortalecimento ósseo, evitando fraturas durante o pouso, ou em saídas da aeronave. Não raro, vemos colegas com deslocamentos dos membros, principalmente ombros e braços. Levando em conta todos esses argumentos, não é difícil perceber a grande importância de um bom preparo físico, conceito que vai muito além do estereótipo do “corpo saradão”.



Texto: Jomar Almeida Paulo (formada pela Escola de Educação Física da UFMG, é treinadora da equipe de atletismo e professora da Polícia Militar de Minas Gerais – Instrutora ASL – CBPq. 441)

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.