TRACK, O CAMINHO CERTO

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DAR ATENÇÃO ESPECIAL AO DESENVOLVIMENTO DE SUAS HABILIDADES DE SEPARAÇÃO É GARANTIA DE SEGURANÇA. CONFIRA ALGUMAS DICAS DE COMO FAZER UM TRACK EFICAZ

Paralelamente ao crescimento de novas e velhas modalidades no esporte encontramos a necessidade de desenvolver nossas habilidades no que diz respeito ao momento de separação. Este trabalho de desenvolvimento aumenta nossa segurança e a dos outros durante o momento de abertura e os primeiros segundos de navegação. Para facilitar o seu entendimento vamos começar pelo reconhecimento de pontos de real importância, que nos incitam a fazer um track eficaz.

Primeiramente, fazer um bom track é algo extremamente prazeroso e divertido podendo-se chegar a simular vôos de formação com escalonamentos de alas e vôos em espelho.

Com o aumento do número de pára-quedistas participantes do mesmo salto, a necessidade de ganhar uma considerável distância entre nossos companheiros tornou-se indispensável para que possamos abrir nossos velames sem riscos de colisões e chegarmos ao solo com segurança.

Durante o acionamento do para-queda nos encontramos na média a 200 km/h. Num intervalo de três a cinco segundos desaceleramos para cerca de 40 km/h. Uma vez em contato com o vento nosso velame será responsável pela redução de nossa razão de queda, mas como isso realmente acontece?
Nos primeiros segundos de abertura, antes do velame tomar a forma de uma asa, perdemos parte da velocidade de queda e depois da completa abertura o restante desta velocidade passará a ser decomposta não apenas no sentido vertical.

Quando o pára-quedas completar sua abertura nossa velocidade de queda ainda é consideravelmente alta. Nesse momento as características aerodinâmicas do velame passam a atuar, gerando sustentação e alterando o sentido de queda para o vôo horizontal. A partir daí perdemos o restante dessa velocidade, até chegarmos ao vôo em velocidade padrão de nosso velame.

Por algumas infortunadas vezes tive a oportunidade de observar a abertura de outro velame, num raio de 10 m a 20 m de mim. Foram situações pouco agradáveis. Na primeira vez encontrei com outro pára-quedista numa mesma altura, a cerca de 10 m, durante nossa abertura. Nossos velames se abriram na mesma direção e tive a oportunidade de ver de perto a abertura de um pára-quedas.

Confesso que desta vez não fiquei tão impressionado quanto na seguinte, quando ao comandar o meu pára-quedas tive um pequeno retardo e, ao olhar para frente, pois até então estava olhando para o velame, vi outro velame, que julguei estar numa distância segura, até que… Completando sua abertura, virou-se para mim em rota de colisão e… Que velocidade! Apenas tive tempo de levantar a perna, puxar o tirante traseiro e virar o rosto. Acho que senti o deslocamento de ar causado pela rápida e próxima passagem de nossos corpos.

Quando pousei soube que meu colega sequer tinha me visto! Foi então que comecei a entender melhor o real perigo de colisões durante aberturas, quer seja de um corpo em queda livre colidindo com um velame ao se abrir ou de dois pára-quedistas em rota de colisão durante a abertura. Em qualquer um dos casos devemos considerar nossa alta velocidade e que estas coisas realmente acontecem muito rápido, às vezes tão rápidas e tão perto que nem temos tempo para tentar reagir.

Procurando evitar este tipo de problema demonstro de forma simples e eficaz uma maneira de melhorar ou desenvolver suas habilidades para alcançar uma boa e segura separação horizontal de seus companheiros de salto.

Vamos ao que interessa.
Podemos traduzir a palavra track como rastro, rota. Creio que no caso do salto de pára-quedas a tradução poderia ser: “uma posição ou movimento usado para deslocar-se para frente, com uma considerável redução de velocidade de queda, durante a queda livre”.

Fazemos uso da posição de track para alcançarmos o maior deslocamento horizontal, com a menor perda de altura. Ou seja, quando adotamos esta posição estamos reduzindo nossa razão de queda e aumentando a velocidade para frente, garantindo assim uma boa separação para podermos abrir nosso velame com segurança.




Como fazer um bom track

Fazer um bom track engloba uma série de fatores que devem ser identificados e compreendidos no chão e no salto. A fim de mostrar um caminho para os pouco experientes e uma forma diferente de encarar o track para os mais espertinhos, divido nossas lições em 4 fases, que se relacionam passo a passo.

São eles:
* Controle de direção – básico
* Aumento da velocidade horizontal – intermediário.
* Diminuição da velocidade vertical – expert
* Track Jumps – Flying Formations Like a Fighther

Controle de Direção – Básico

Comece a praticar seu track partindo de uma boa posição (exercícios sinestésicos poderão ajudá-lo); execute um giro de 180 graus em relação ao centro do salto e em seguida estique suas pernas colocando seus braços para trás, num ângulo de aproximadamente 45° com o eixo longitudinal de seu corpo.

Isso causará um movimento à frente, conservando com maior facilidade, pela ampla abertura de braços e pernas, seu sentido de vôo (heading).
Quando em movimento, diminua a seladura do corpo, apoiando mais o peito no vento procurando apresentar sua maior superfície ao vento relativo. Isto fará com que você compense a perda de “superfície de contato” (abordada na reportagem “Box, eis a questão” – Air Press n°.15), quando os braços são levados para trás, conservando o track num movimento o mais horizontal possível. Desta forma você estará dando seus primeiros passos no caminho de garantir uma boa separação horizontal entre outros pára-quedistas, durante sua abertura.

Cabe aqui alertar para a necessidade de se manter o track num movimento em linha reta a não ser que precise se desviar de outro pára-quedista.
Nessa fase de desenvolvimento fique atento para o controle de sua direção de vôo e se está realmente esticando as pernas.

Preste atenção em sua referência e sinta o ar escoar por seu corpo. Lembre-se de que uma boa abertura de pernas e braços lhe dará maior controle e estabilidade longitudinal, facilitando a manutenção de sua direção durante o movimento de track.

Aumento da velocidade horizontal – Intermediário

Após praticar algumas vezes, pelo menos até que seu track esteja saindo em
linha reta, comece a aproximar seus braços do tronco e a aproximar suas pernas uma da outra. Procure se esticar como se quisesse crescer alguns centímetros. Faça isso de forma gradual e coordenada, sem fazer muita força, caso contrário seu track começará a “gangorrar” para frente e para trás, de forma muito cômica.

Não se esqueça de continuar olhando para sua referência, sentindo o ar passando por seu corpo no sentido da cabeça para os pés. Perceba e grave a sensação que está sendo criada pelo vento escoando por seu corpo. Como manda a sabedoria chinesa, “…Gafanhoto, mantenha sua mente e corpo relaxados.

Mente relaxada constata, analisa e toma atitudes mais rapidamente. Corpo relaxado reage mais rapidamente aos estímulos da mente e manda para o cérebro sensações importantes para analisar o que fazer e como fazer.”

Diminuição da velocidade vertical – Expert

A esta altura, você já está pronto para tornar seu track uma manobra digna de um exímio voador. De posse do total controle da direção de vôo, com braços e pernas posicionada para trás e ligeiramente juntos, aproxime-os mais, levando os ombros para frente e para baixo, continuando a contrair seu abdômen.

Assim, você irá diminuir ainda mais sua razão de queda e potencializar seu movimento à frente, conseguindo atingir um maior espaço percorrido em menor tempo de queda.

Este é um bom track: andar muito e cair pouco!

Aqui vão algumas dicas e pontos que merecem destaque no que se diz respeito a track e momento de abertura:
*Sempre inicie seu track a uma altura não inferior a 3.500 pés a não ser que o tenha começado já na saída da aeronave.
*Nunca perca consciência de altura.
*Antes de comandar, sinalize!
*Quando em saltos com duas ou mais pessoas, inicie sua separação com um giro de 180 graus pela direita.
*Durante o track procure fazer um movimento em linha reta, atentando para sua direção de vôo.
*Antes de comandar, volte à posição neutra.
*Em saltos com várias pessoas atente para a separação entre você e outros pára-quedistas presentes: a sua direita e esquerda.
*Antes de subir para o salto faça o briefing da altura de separação com seu instrutor ou companheiros de salto.
*E, finalmente, não se esqueça que podemos treinar nosso track, praticamente, em todo e qualquer salto que realizarmos.



Foto: Rick Neves

Track jumps

Este tipo de salto, tão sonhado durante meus primeiros anos de pára-quedismo, aparece nos dias de hoje como uma divertida forma de testar e desenvolver suas habilidades de vôo durante um contínuo movimento para frente durante todo o salto.

Servindo como líder um pára-quedista em Back Track (fazendo um track de costas para o solo) pode ser seguido por diversos camaradas que procurarão voar o mais próximo ou em posições determinadas em relação ao líder. Diversas variações deste tipo de saltos podem ser ensaiadas.

TEXTO: JOSÉ GUILHERME SAEZ

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