LUZ NO FIM DO TÚNEL

Dentro do Tunel de Vento

“Nós já começamos a voar, várias pessoas, aqui e ali, encontraram o segredo para ajustar suas próprias asas, colocando-as em movimento, sendo sustentados no ar e levados através de fluxos… A arte de voar acaba de nascer; ela será aperfeiçoada, e algum dia nós iremos tão longe quanto a lua.” (BERNARD LÊ BOVIER DE FONTENELLE – ESCRITOR FRANCÊS DOS SÉCULOS XVII/XVIII)

Para avançar em alguma coisa é preciso desafiar, ser inovador e viver no limiar do precipício, arriscando-se na busca pelo progresso. Nossos ancestrais deixaram um intricado e inspirado caminho para que seguíssemos – Leonardo DaVinci, os irmãos Wright, Charles Lindburgh e Amélia Earhart (para nomear alguns), todos com a idéia de uma evolução aérea em mente. E este é o nosso desafio, evolução. Dentro deste espírito, o Freefly Training Center, em Skydive Sebastian, Flórida, uniu forças com o túnel de vento SkyVenture, em Orlando, para criar uma atmosfera onde freeflyers possam aprender e aperfeiçoar suas habilidades de vôo. Trata-se de um intenso programa, focado no one-on-one, treinando o controle dimensional no head up e no head down.

O Freefly Training Center tem feito mini-camps semanais e quinzenais em que é possível fazer o que se imaginar dentro do túnel. Os membros do FTC, Mike Swanson e Rook Nelson (os atuais campeões mundiais), juntamente com David Brown, Rob Silver e Chris Lynch, oferecem um programa distinto para freeflyers de todos os níveis, para que possam superar suas próprias habilidades.

O túnel de vento de Orlando se distingue de todos os outros nos EUA, por ser o único onde o pára-quedista pode, realmente, fazer um freefly com segurança. “Outros túneis são perigosos para freefly, pois eles têm apenas uma hélice, criando um ‘cogumelo’ de ar. Isso facilmente faz com que o praticante ‘caia fora’ durante as transições.

Também é difícil manter uma posição ideal devido à corrente de ar”, diz Trevor Thompson, vice-presidente executivo do SkyVenture.

O túnel de vento SkyVenture é mais adequado ao freefly devido à corrente de ar circular de parede a parede (em uma câmera fechada).

Existem cinco hélices com sistemas dinâmicos no teto. Cada uma tem 125 cavalos de força: o ar é sugado por baixo, atravessa a câmera e sai por cima. Isto permite que o pára-quedista mantenha ou simule qualquer posição de freefly, numa velocidade de 120 milhas por hora, sem o perigo dos outros túneis. A combinação das hélices e do formato de ampulheta do túnel – que realmente afeta a velocidade do vento em sua passagem através da câmera é chamada de ‘Venturi Effect”.

O FTC tem levado grupos a SkyVenture. Ao todo, essas pessoas já voaram mais de 20 horas no túnel de vento. “Nós oferecemos um programa começando com um controle dimensional básico de head up, trabalhando em backflying e sitting. Um de nós sempre está lá dentro com o aluno, oferecendo treinamento e dicas, como num treinamento de pára-quedismo (belly fly)”, explica o instrutor David Brown.



São formados grupos de quatro a seis pessoas e cada pessoa pode ficar no túnel de dois a três minutos, por vez. Um instrutor do túnel sempre fica numa das portas e o instrutor do FTC em outra, disponibilizando dicas para o voador às vezes são usados sinais de mãos e, dependendo do caso, o instrutor entra e mostra a posição correta para o aluno.

Durante as pausas o instrutor faz um debriefing e treina os movimentos da próxima sessão. E isso continua até o tempo terminar. Depois disso rola um debriefing geral. Uma vez que o voador consolidou as habilidades de vôo na posição sentada, tais como gripar, ir à frente, ir para trás, movimentos laterais, carving e transições (front/back flips, cartwheeis), há um treinamento avançado especifico.

Além de os grupos de alunos trazidos pelo FTC, os campeões mundiais Mike Swanson e Rook Nelson têm treinado movimentos compulsórios lá. O objetivo é colocar em prática, dentro do túnel, os movimentos: rock the cradie, sixty-nine, eagles, jokers e carving, todos bem próximos. Eles também têm feito 4-way de head down com Starck e Hughes, 5-way sitfly e manobras híbridas. Uma das atividades mais excitantes é a simulação da “Indy”, onde duas pessoas ficam de pé na tela do túnel e outra percorre oito voltas em torno deles de cabeça pra baixo. O túnel de vento SkyVenture estará celebrando seu quarto aniversário em julho. O proprietário e criador Bill Kitchen tem gerenciado os negócios até hoje. O FTC está disponível por meio de reservas para treinamentos individuais ou em grupos, tanto em queda livre como no túnel.

ARTIGO PUBLICADO NA AIR PRESS Nº 95
TEXTO: ERIN GOLDEN

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