Fases do pára-quedista: Fase 4 – Maior esclarecimento e experiência

Dando continuidade à seqüência de matérias escritas por Fábio Diniz (CTR), das quais já estão disponíveis em nosso portal:
Fases do pára-quedista: FASE 1 – Sobrevivência
Fases do pára-quedista: FASE 2 – A rápida evolução
Fases do pára-quedista: FASE 3 – O Grande risco

Publicamos agora a…

Fase 4: Maior esclarecimento e experiência
Assim pode ser chamada a quarta fase de um pára-quedista, que vai de 500 a 1000 saltos. Nesta etapa, o esporte pode tomar outra dimensão na vida do pára-quedista.

A fase que compreende entre 500 e 1000 saltos pode ser muito divertida, pois alguns medos e dúvidas já ficaram para trás. Pode ser decisiva, pois é nela que os pára-quedistas geralmente começam a trabalhar dentro do esporte. Pode ser de muitas descobertas e de conscientização, afinal, estamos nos encaixando num perfil restrito, onde a experiência acaba nos permitindo realizar algumas ações que antes seriam muito arriscadas e, com isso, descobrimos novas maneiras de sair, de voar a queda livre e de voar nossos velames.

Falo também em conscientização pois Sócrates certa vez disse: “Tudo o que sei é que nada sei”. Isso é algo que tem muito a ver com nosso esporte, pois quando chegamos perto dos nossos 1000 saltos, começamos a ter uma estranha impressão de que não sabemos nada e de que ainda estamos engatinhando. Mais adiante, isso se confirma e temos noção da real dimensão da nossa ignorância dentro do esporte, dos seus mecanismos de funcionamento e das modalidades.

É obvio que o que descrevi acima não é uma regra. O ser humano não é exato. Escrevo este texto baseado no que tenho notado trocando experiências com pára-quedistas do mundo inteiro durante os últimos 10 anos.

Em alguns momentos o pára-quedismo torna-se um esporte “injusto” e “subjetivo”. Por que digo isso? Simplesmente porque, em muitos momentos de nossas carreiras, nos deparamos com situações que são resolvidas, muitas das vezes, pela opinião de uma única pessoa que diz “pode” ou “não pode”. Isso poderá ocorrer quando você quiser participar de uma demonstração antes do tempo, quando você quiser saltar com o clima inadequado e os seus instrutores te barrarem, ou ainda quando você estiver naquele super boogie ou num recorde e a organização técnica, por algum motivo, decidir que você ainda não tem condições de entrar no salto ou que não está preparado para determinada tarefa.

Será que isso é ruim? Realmente acredito que em alguns casos essas decisões podem se tornar políticas ou arbitrárias, porém, na grande maioria das vezes, elas estão corretas e embasadas em uma variável extremamente importante dentro do pára-quedismo: a experiência.

Quantas e quantas vezes não fomos barrados em determinadas ações e, mais adiante, quando aumentamos a nossa visão sobre o assunto, percebemos que teve grande sentido. Isso se chama experiência. A experiência é uma das únicas coisas que não pode ser “comprada” ou adquirida sem que a tenha vivido.

Acredito que nesta fase que estamos descrevendo, o pára-quedista adquire um grande nível de experiência, subindo diversos degraus na escala evolutiva do esporte. Existe uma frase que diz: “A quem muito é dado, muito é cobrado”.

Esta frase resume de forma muito sucinta a obrigação que nós, “pára-quedistas experientes”, temos com os “menos experientes” e principalmente com o esporte. O pára-quedismo sempre teve poucas estatísticas, métodos e padrões, pelo menos no Brasil. A formação das novas gerações é feita pelos pára-quedistas mais velhos e mais experientes, mas muitas dessas experiências e aprendizados infelizmente só podem ser obtidos com a vivência. Saltando, saltando e saltando.

Precisamos manter a disseminação de conhecimentos e a segurança em níveis altos para que as próximas gerações possam ser melhores do que somos e, além disso, para que possam praticar um pára-quedismo mais seguro e mais experimentado. Não existe sentido para que as futuras gerações sofram os mesmos acidentes, cometam os mesmos erros e tentem descobrir as mesmas técnicas que nós já descobrimos. Temos a “obrigação” de transmitir essa bagagem da melhor maneira possível e, essa obrigação, apesar de começar desde o início, se reforça mais e mais a cada salto que fazemos e a cada momento de experiência que vivemos dentro do esporte.

Se você se encaixa dentro desta fase e concorda com as colocações que foram feitas, pratique e ensine um pára-quedismo mais técnico, seguro e divertido, começando por você.

Blue Skies e até a próxima matéria !!!

 


 

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