Fases do paraquedista: FASE 1 – SOBREVIVÊNCIA

Hoje nosso portal tem o prazer (e a honra) de dar início a publicação de um conjunto de 5 excelentes matérias escritas pelo Fábio Diniz para revista AirPress sobre como funciona uma progressão de atletas no pára-quedismo.
Essas esclarecedoras reportagens, descrevem um pouco das “fases do pára-quedismo”.

PARA QUEM AINDA NÃO LEU…É UM APRENDIZADO FUNDAMENTAL, COM DICAS DE QUEM POSSUI ANOS DE PÁRA-QUEDISMO E UMA CARREIRA DE SUCESSO NO ESPORTE.

O que aprendemos, quais são os riscos, teoria x pratica, frustrações, ansiedades, motivação e assim por diante.
Como já publicamos aqui mesmo em nosso portal, as fases do pára-quedista geralmente são parecidas e, na opinião do Fabio, podem ser divididas da seguinte maneira:

Sobrevivência: De 0 a 30 saltos
Evolução rápida: De 30 a 200 saltos
Riscos aumentam: De 200 a 500 saltos
Maior esclarecimento e experiência: De 500 a 1.000 saltos
Maturidade: Acima de 1.000 saltos

Nesta primeira matéria será já abordada a primeira fase: SOBREVIVÊNCIA

Assim pode ser chamada a primeira fase de um pára-quedista, que vai de 0 a 30 saltos. Nesta etapa, o importante é respeitar os mínimos detalhes de aprendizado e segurança.

A primeira fase da vida de um atleta começa quando ele decide saltar. Pode até parecer brincadeira, mas o local e a maneira como a pessoa ingressa no esporte influenciam diretamente na visão que a pessoa terá do pára-quedismo e na sua evolução em geral.

Hoje em dia, a maioria das pessoas que têm perfil para a prática de esportes de aventura possui acesso fácil à informação.

Sendo assim, se a pessoa pesquisar bastante e não pensar somente em preço, mas sim num conjunto de variáveis como credibilidade, profissionalismo e regulamentação, entre outros fatores, certamente fará uma boa escolha sobre como começar a praticar o pára-quedismo.

O primeiro passo está dado logo após a pessoa decidir o que fazer e onde fazer.
O primeiro salto de um candidato a pára-quedista geralmente é o salto duplo.

Através deste salto a pessoa poderá conhecer o esporte mais de perto, tendo aí o seu primeiro contato com a queda-livre.

A parte teórica inicial do curso AFF dura, em média, oito horas, variando de aluno para aluno. No curso, o aluno receberá todas as informações necessárias para fazer um salto seguro sob a supervisão dos seus instrutores. Entre as informações, podemos destacar: treinamentos para os exercícios a serem realizados no salto, briefings de saída no falso avião que fica no solo, subida e concentração, preparação mental para o salto, saída de aviões, procedimentos de queda-livre, acionamento do pára-quedas, checagens que identificam se o pára-quedas está ok ou não para pouso, navegação e o pouso propriamente dito.

Nesta fase, chamada aqui de “fase 1 – sobrevivência”, o pára-quedista terá seus primeiros contatos com o mundo do pára-quedismo. É uma etapa muito delicada, afinal, tudo é novo para o aluno. Ao mesmo tempo, é um momento muito divertido e de grandes descobertas. O curso AFF prepara o aluno para que ele consiga sobreviver em queda-livre sem a supervisão de instrutores.

O que seria sobreviver em queda-livre? Na minha opinião, o conceito de sobrevivência em queda-livre abrange os seguintes aspectos:

*Realizar um check correto de equipamento e uma boa equipagem.
*Realizar uma saída controlada do avião.
*Realizar uma queda-livre estável e controlada.
*Controlar a altura e o tempo do salto utilizando os instrumentos de medição disponíveis.
*Acionar o pára-quedas dentro da altura estipulada e longe dos outros grupos e pessoas.
*Identificar possíveis anormalidades e emergências no pára-quedas e, além disso, ter atitude acertada e rápida para resolver o que for necessário.
*Identificar a área de salto e, ainda, possuir discernimento suficiente para identificar uma área de pouso alternativa.
*Respeitar o tráfego padrão sem cometer atitudes que coloquem a vida dele ou dos outros em risco.
*Pousar com segurança sem auxílio de rádio.
*Recolher o pára-quedas e chegar na área de pouso em segurança.

Caso o aluno não consiga cumprir todos os requisitos acima, ele precisa de ajuda. Afinal, na minha opinião, todos são itens obrigatórios para a realização de um salto seguro. Já os principais perigos desta fase, são:

*O aluno não entender direito o que é o pára-quedismo e os riscos que envolvem a sua prática.
*O aluno não receber instrução adequada.
*Ter atitudes que comprometam a sua segurança, como desleixo, noites mal dormidas, uso de álcool, drogas etc.
*Achar que os instrutores têm que ver tudo e garantir a sua vida.
*Achar que o chão não chega nunca.
*Achar que o pára-quedas não apresentará problemas nunca.
*Não entender a navegação corretamente.
*Querer saltar sem macacão, sem capacete rígido e de papetes ou sandálias.
*Querer trocar de equipamento antes do momento correto.
*Querer saltar em dias em que o clima não está adequado.
*Não checar o equipamento adequadamente antes da equipagem, antes do embarque e antes de sair da aeronave.
*Não saber fazer o seu próprio P.S., ficando à mercê da habilidade dos pilotos.
*Comandar o pára-quedas abaixo da altura.
*Querer copiar o que pára-quedistas experientes fazem.
*Escutar conselhos sobre “manobras” e “procedimentos” de pessoas que não estão habilitadas para tal.
*Querer saltar com pessoas que ainda não possuem nível técnico para realizarem saltos em conjunto.

Se você está nesta fase e tem algum comportamento parecido com os que descrevi acima, tente rever seus conceitos. Pare para pensar, faça uma reflexão e escute os conselhos dos profissionais mais experientes para poder tirar as suas próprias conclusões e mudar seu comportamento antes que seja tarde.

Do jeito que escrevi aqui, o pára-quedismo pareceu um esporte muito perigoso, porém, isso não é verdade. O pára-quedismo é um esporte maravilhoso, com belas imagens e que nos proporciona momentos únicos de contato com a natureza e com os nossos próprios sentimentos e pensamentos. Mas ele nunca deixará de ser um esporte de aventura que envolve riscos calculados. Precisamos praticá-lo com segurança e consciência, respeitando as normas e os nossos próprios limites. Desta maneira, podemos saltar de pára-quedas a vida inteira, correndo riscos extremamente menores do que morar em uma metrópole como São Paulo, por exemplo.

Se praticarmos o pára-quedismo com segurança, poderemos praticá-lo sempre. Aproveitando a deixa, outro dia vi escrito na camiseta de um amigo: “ Nós, os pára-quedistas, sabemos porque os pássaros cantam”…


Um comentário sobre “Fases do paraquedista: FASE 1 – SOBREVIVÊNCIA

  1. Priscilla em

    Boa noite,

    Eu estou apaixonada por saltar. Fiz 6 saltos duplos, mas não tenho coragem de fazer o AFF e saltar sozinha. Todo mês eu salto. E agora estou tentando amadurecer essa idéia e buscando na internet informações. Lendo parece muito fácil, mas sei que não é. memso no duplo morro de medo do pouso. Mas boa matéria.

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