E NA HORA DA PANE…

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A CADA 1.000 ABERTURAS ACONTECE UMA PANE. A CHANCE É MÍNIMA, MAS PODE ACONTECER COM VOCÊ. APRESENTAMOS ALGUNS PROCEDIMENTOS BÁSICOS E IMPORTANTES DE COMO AGIR APÓS O ACIONAMENTO DE RESERVA.

A satisfação de mais um salto, sensação que todos nós conhecemos bem, precede um momento delicado, com riscos mínimos, mas existentes, de se tornar crítico: a abertura do pára-quedas. Na maioria das vezes não acontece nada de anormal, o equipamento abre suavemente e vai desacelerando sua velocidade de queda, até levá-lo ao solo.

Segundo estatísticas, para cada 1000 aberturas acontece uma pane. Nesta situação, um excelente condicionamento e frieza para utilizar corretamente os procedimentos de emergência são fatores determinantes. Saiba como proceder se acontecer com você.

Atente para essas dicas importantes: tente se manter calmo, mantenha a consciência de altura e lembre-se sempre do procedimento de emergência (olhe para a bananinha, pegue-a, olhe para o punho do reserva, puxe, pegue-o e puxe). A melhor forma de condicionamento é a utilização do equipamento suspenso, ferramenta fundamental e mais eficaz de instrução.

Não é a toa que os alunos de primeiro salto treinam intensamente o procedimento de emergência com esse equipamento.

Lembre-se das instruções dadas pelo seu JM de primeiro salto, como estar levemente selado antes de realizar a desconexão, porque ao desconectar você voltará a fazer queda livre e uma posição selada fará com que você caia de barriga para baixo, facilitando a abertura do seu pára-quedas reserva.

Antes de desconectar, visualize bem o punho do reserva e não o perca de vista, pois o mesmo tende a mudar de posição ao perder a sustentação do velame principal. Ao desconectar puxe a bananinha até o final da extensão do seu braço, para ter certeza de que desconectou ambos os tirantes. Estabilize antes de comandar o reserva, para que o mesmo não encontre obstáculos durante a seqüência de abertura.

Vamos supor que você tenha de realizar o procedimento de emergência. Enquanto estiver voando com seu reserva, a adrenalina correrá solta e você estará totalmente agradecido ao rigger que dobrou o seu reserva, além de, como manda a tradição, estar devendo algumas cervejas para ele e para a galera. Passados esses instantes de euforia, a questão será onde pousar seu velame reserva. Surge a dúvida. “Devo tentar pousar próximo do meu velame principal e freebag ou procurar pousar próximo à área de salto?”

Há uma resposta diferente para cada pára-quedista. E isso vai depender da experiência, do tamanho do reserva e do local do pouso. É recomendável que os menos experientes procurem um lugar seguro, próximo à área de salto, tendo em mente que o reserva não é o seu velame principal. Logo, deve-se aumentar o cuidado durante o seu circuito de pouso e flare.

No caso dos mais experientes, o mais indicado é procurar um lugar seguro próximo ao local onde seu velame e freebag caíram ou na direção em que provavelmente cairão, desde que o terreno ao redor não ofereça riscos, claro. A experiência a que me refiro não está relacionada apenas a quantidade de saltos, mas também a quantidade de reservas acionados.

Quanto mais reservas acionados, mais acostumado e experiente com esta situação você estará, podendo manter a tranqüilidade sabendo e saber tomar a decisão correta.

O tamanho do velame reserva é uma decisão importante na hora da compra de seu equipamento. Lembre-se que você já passou por um grande apuro (a pane) e que não quer entrar em outro na hora de pousar o seu reserva, ou seja, compre um reserva compatível com seu peso e sua experiência. Ele foi fabricado para lhe proporcionar uma abertura rápida e um pouso tranqüilo, desde que sejam seguidas as limitações de peso sugeridas pelo fabricante.

O local do pouso é outro fator importante para se manter inteiro depois de uma pane. Qualquer lugar escolhido será diferente do local onde você pousa em sua área de salto, onde não há buracos, mato alto, árvores, fios de alta tensão, cercas etc… Esteja muito atento às pequenas variações no terreno, como também aos obstáculos escondidos. Defina seu local de pouso acima dos 1.000 pés, para que possa ter tempo suficiente para estar atento a esses detalhes, lembre-se de que seu pára-quedas pousa com qualquer influência de vento, cauda, través ou nariz, a única variante num caso como esse será o maior ou menor impacto no solo durante o seu pouso. É preferível pousar de cauda do que realizar uma curva baixa!

Depois de pousar são e salvo é hora de ir procurar sua freebag e o velame principal. No caso de ter pousado próximo a eles o resgate fica bem mais fácil e ágil.

Mas se pousar num local distante de onde o seu material está, não perca tempo. Vá procurá-lo imediatamente, pois o maior interessado é você. É bom lembrar que uma freebag e um pilotinho de reserva novos custam cerca de US$ 250,00. Isso sem contar o seu velame principal, tirantes, batoques, bolsa do principal e pilotinho colapsável. A perda deste material não fará bem ao seu bolso.

Mas há a hipótese de você não encontrar. Neste caso, alguém supostamente de boa índole o encontrará e o devolverá requisitando algo em troca. É fundamental oferecer algum tipo de passeio na aeronave (como peru), umas cervejas, um salto ou qualquer outra coisa. Menos dinheiro.

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O resgate do material se tornou um grande problema nos maiores centros de pára-quedismo. Basta pousar na área com o reserva para avistar várias pessoas desconhecidas, que não são pára-quedistas, em busca de seus equipamentos. Essas cenas me lembram a época em que brincava com pipas na rua. Quando alguém perdia uma, a molecada corria atrás, quem pegava primeiro virava o dono.

A diferença é que a pipa a gente faz em casa ou compra por R$ 1,00. Já nossos equipamentos…

Não dê gratificações em dinheiro para os “bem intencionados” que trazem seu pára-quedas ou qualquer outro acessório.

Retribua com um vôo panorâmico ou qualquer outro tipo de gratificação. Use a imaginação.

Essas são dicas básicas e relevantes para o seu bom desempenho no caso de
uma pane e também para melhor administrar o que te espera depois do acionamento do reserva. Para tê-las em mente, basta não descuidar do conceito de segurança no esporte, que deve estar acima de tudo.

ARTIGO PUBLICADO NA AIR PRESS Nº 96
TEXTO: PEDRO USHIZIMA JR.

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