De aluno a profissional no paraquedismo

Quantos de nós, quando éramos alunos, não pensamos em nos tornar instrutor algum dia??!?

A vida de um paraquedista pode seguir vários rumos no esporte, nos meus mais de 15 anos de paraquedismo já vi várias coisas, de alunos que se tornaram atletas profissionais e até instrutores. Porém, para chegarem lá, acompanhei de perto a dedicação e doação pelo esporte.

t4
15/01/2010 – Já formado. Pronto para mais um salto com os amigos Ylton, Coelho e Vivi

Porém, o que vejo é que dedicação e doação podem não ser o suficiente, algumas escolhas pessoais e financeiras são decisivas nessa jornada. Ser profissional no paraquedismo é mais do que uma profissão, é um estilo de vida.

Tantos anos vivendo no paraquedismo você escuta muitas histórias, profissionais que viram mitos, contos que viram lendas, algumas engraçadas, outras nem tanto assim, mas para o texto de hoje eu queria passar detalhes de uma vida real e recente, para incentivar os mais novos e principalmente, dar o “caminho das pedras”, para quem acha que ser instrutor é uma tarefa quase impossível.

Há alguns poucos anos atrás, lá em Piracicaba, conheci um menino de nome Thiago, estava fazendo o curso ASL, o objetivo na época era conseguir saltar sozinho, voar estável, enfim… metas que por si só já exigiriam muita dedicação. O que ele não sabia é que muita coisa ainda estaria por vir.

Após formado, continuou se desenvolvendo, saltando com amigos, procurando novos desafios, era época das lenhas (e que atire a primeira pedra quem nunca fez uma lenhazinha só por curtição J). Mas a verdade é que a sede por aprender mantinha-se viva e isso o motivava salto após salto a se desenvolver.

Como a vontade de saltar e evoluir só aumentava (e convenhamos, a grana é curta!!!), ele resolveu treinar para se tornar cinegrafista e assim começar a sua “carreira” como profissional no esporte.

Começando o treinamento para se tornar cinegrafista ele pôde perceber que não seria fácil. Foram mais de 30 saltos de treinamento específico para filmagens, para finalmente conseguir atingir um nível básico e aceitável. Para sua sorte ainda existem profissionais bons e legais no esporte, profissionais que ajudam realmente os mais novos, mantendo acessa a chama de uma “família skydive”.

t2Em 2011, já trabalhando como camera man

 Hoje, depois de mais de 600 saltos executados como cinegrafista, possui um nível de excelência em imagens que destaca-se dentro do esporte.

Ainda assim, existia ainda um caminho a ser percorrido. E porque não ser “Treinador”?!?! Mais um desafio!!! Mais diversão!!! E mais uma vitória!!!

(Aqui vale outro parênteses importante. O “Treinador BBF” é o primeiro nível na hierarquia de qualquer forma/modalidade de instrução, já é amplamente utilizado em outros países e foi introduzido formalmente no Brasil em julho de 2010. É o caminho certo para quem quer se profissionalizar no esporte.)

Com tanta evolução o reconhecimento apareceu e veio a proposta para realização de um curso formador de instrutor de salto duplo. Com certeza o maior desafio que ele iria enfrentar. Fez o curso nos EUA, país que tem o maior reconhecimento mundial com relação ao paraquedismo. Uma língua diferente, cultura diferente e um curso que exigiu dedicação extrema.

t52013, Tandem Pilot em Boituva – SP

Hoje tenho certeza que temos um excelente profissional, instrutor, treinador e cinegrafista no paraquedismo, mais de 1000 saltos em seu currículo, sempre pronto para responder a qualquer dúvida e ajudar outros atletas, compartilhando todo conhecimento que adquiriu durante sua jornada.

Parabéns Thiago, essa é a mentalidade e atitude que devemos levar para todos atletas e alunos.

Abraço,
Mauricio Mancuzi

3 thoughts on “De aluno a profissional no paraquedismo

  1. Ylton em

    Tive o prazer de conhecer o Thiago quando estava ainda em seu 8º ou 9º salto. E hoje, com mais de 1000 ele continua sendo o mesmo cara gente boa de quando tinha apenas 8. Sempre disposto a ajudar os outros, de forma sincera, honesta, mesmo que ele nem conheça a pessoa. O esforço foi realmente grande pra conciliar trampo, facul, morando em outra cidade, transporte até a área, mas a garra prevaleceu e hoje ele já colhe os frutos de sua dedicação. Parabéns Thiago, valeu pelos saltos que fizemos e ansioso pelos saltos que ainda vamos fazer. Abração. Ylton.

  2. Ian Pierre Gomes Santos em

    Olá,

    Eu tenho sonho de ser um instrutor, cinegrafista ou até saltar sozinho. Qual são a média de valores? Um salto duplo no Brasil custa quanto em média? E para saltar sozinho, após o curso, quanto custa, por exemplo?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *