CURVAS BAIXAS, VELAMES RADICIAS E PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA

Curvas baixas são curvas baixas, não importa com qual velame elas forem realizadas. As pessoas, comumente, associam de forma errada a atitude do atleta em realizar uma curva baixa com o modelo do velame que ele está voando.

“Eu sou muito cuidadoso com meu velame. Nunca faço curvas baixas”
Você provavelmente já ouviu alguém dizer isso, ou talvez até você mesmo já tenha dito isso antes. Também pode pensar que as pessoas envolvidas em acidentes por curva baixa sejam apenas “doidões” que fazem aproximações radicais voando velames com altos wing loadings.
No entanto, estes conceitos são absolutamente simplistas e errôneos, e, portanto, estão longe de ajudar a evitar este tipo de acidente.

Muitas áreas de salto alertam os atletas todos os finais de semana sobre o perigo de realizar curvas baixas e algumas tentam até proibir as chamadas “hook turns”.
Mesmo assim, muitos continuam a se acidentar embaixo de velames totalmente funcionais. Por quê?
Conceitos simples demais levam à ignorância. Ignorância leva à má avaliação.
Má avaliação leva ao acidente.

Imagine-se nesta situação: depois de um grande salto, você está fazendo sua aproximação para pouso com um velame dócil com vento de nariz. De repente, na sua visão periférica você percebe que outro atleta, na mesma altura que você, está indo em direção ao mesmo ponto no solo e não está te vendo. Você irá colidir com ele ! Instintivamente, você faz uma curva para evitar a colisão e seu velame mergulha direto para o solo. Quando você percebe que a situação está ruim, seu corpo bate no chão. Dlia algum tempo ouve vozes “ Você está me ouvindo?” “não se mexa” .
Há dezenas de histórias como esta pelo mundo afora. Pessoas que se machucaram fazendo curvas baixas enquanto desviam de abstáculos, outros velames, ou simplesmente tentando alinhar seus velames em relação ao vento.

Na maioria, não eram pessoas que estavam se mostrando com seus velames minúsculos. De fato, a esmagadora maioria estavam usando velames considerados apropriados para seu peso e experiência e, comumente, são descritas como pessoas que “nunca fazem curva baixa”.

É fácil alertar as pessoas dos perigos de realizar curvas baixas, mas de fato isto está longe de atingir a raiz do problema e evitar acidentes.
Embora sabedores de que devemos fazer uma navegação que nos mantenha longe dos outros velames e obstáculos e que devemos alinhar nosso velame na direção do vento em uma altura segura, nós também devemos aprender como reagir quando algo inesperado acontece enquanto em vôo. Não podemos simplesmente dizer não às curvas baixas. Temos que saber como faze-las quando precisamos, de forma correta e segura.

Antes de irmos adiante, precisamos aprender a diferença entre “hook turn” e curva baixa.
Hook turn é uma manobra realizada intencionalmente pelo atleta à relativa baixa altura, com o intuito de mergulhar e ganhar velocidade. Se a altitude e a taxa de mergulho forem julgadas corretamente, isto fará com que o atleta realize um planeio paralelo ao solo, conhecido por swoop.
Quando realizamos uma curva para nos livrarmos de um obstáculo, o velame irá reagir da mesma maneira. Infelizmente, se o atleta não puder considerar a altura que se encontra e a taxa de mergulho de seu velame, irá colidir com o solo.
Mas como podemos evitar esta situação?
Alem de tomarmos as devidas precauções relativas a uma navegação segura, longe de obstáculos e outros velames e aprendendo a manejar nossos equipamentos de forma correta, podemos minimizar este tipo de acidente. Portanto, falta aprender como fazer curvas sem perder muita altura, ou seja as FLAT TURNS.

Essas são uma das mais úteis manobras nestas situações e podem ser a única maneira de evitar que à baixa altura você venha colidir com o solo.

Poucas pessoas ensinam como faze-las e, na verdade, a maioria dos instrutores até gastam energia desencorajando seus alunos a voarem desta forma, sempre dizendo “deixem o velame voar”….”solte os freios”…

Como então aprender as flat turns?
Gaste algum tempo voando seu velame com os freios puxados e você começará a explorar uma nova forma de manobra-lo, que muitos pára-quedistas sequer sabem que existe. Você irá aprender a extrair toda a performance de seu velame e desenvolver habilidades que podem salvar sua vida em situações difíceis.
Comece puxando os batoques até quase a linha dos ombros ou o que chamamos de meio-freio. Comece a puxar um lado mais que o outro, ou subindo um enquanto desce o outro. Você irá perceber que seu velame irá fazer curvas normalmente, mas irá perder muito menos altura na manobra.

É possível fazer curvas de 90, ou até 180 graus perdendo bem pouca altura. Teste também o ponto de stall de seu velame, para saber o quanto dos freios podem ser puxados sem que o velame pare de voar para frente. Puxando os batoques gradativamente, você irá perceber uma diminuição na velocidade até que sinta que seu velame parou de se movimentar para frente. Se insistir, seu velame irá despressurirar e começar a voar para trás. Não se alarme, apenas solte os freios gradativamente que naturalmente ele voltará ao vôo normal. Se não sentir-se confortável com este procedimento, faça da mesma forma mas utilizando os tirantes traseiros. Claro que todos estes procedimentos devem ser treinados a uma altura segura.

Com certeza, o pouso realizado após uma curva a meio freio não será tão confortável quanto em vôo total, mas pode salvar sua vida, saiba faze-las!!

Fonte: Skydive Amazonas (http://skydiveam.com.br)

Por: Cláudio Knippel – FlyFactory Freefly.

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