Como voar seu velame com Segurança – Parte 1

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O que é um velame radical?
A resposta a essa pergunta varia de acordo com a época. Em 1970, um velame radical era um hiper sustentado, do tipo Para Commander ou Papillon. Em 1980 era um Strato Cloud. Atualmente, um velame radical é, basicamente, nada mais que um velame retangular ou elíptico, feito com nylon de zero porosidade, como Stiletto, lcarus Extreme FX, Velocity, Vengeance, lcarus Extreme VX, entre outros que estão sendo lançados no mercado.

Mas por que o chamamos de radicais?
Simplesmente porque são capazes de fazer manobras que estão fora dos limites de controle da grande maioria dos usuários. Ou seja, alguns pilotos mais experientes conseguem extrair o máximo desses velames, como por exemplo, fazer hook turn de 270º próximos ao solo, terminar com belíssimos pousos em altas velocidades e ganhar suspiros de admiração. Já outros, conseguem atingir o solo em grandes velocidades e ganhar carona até o hospital mais próximo.

Situações de risco potencial

As situações de risco potencial não se limitam aos pousos radicais. Na medida em que a performance dos velames aumenta, aumentam os riscos de colisão no momento da abertura e da navegação. Isso porque, se antes um velame demorava cinco segundos para percorrer uma determinada distância, hoje um velame rápido leva apenas dois segundos. Isso diminui o tempo de reação. Uma colisão pode acontecer momentos após a abertura ou durante a navegação.

Velames radicais podem causar panes de abertura com fine twists e giros radicais para trás capazes de deixar um pára-quedista inconsciente, se este não agir rapidamente.
Acidentes também podem acontecer nos pousos fora da área de salto, quando as alternativas são poucas e os obstáculos, muitos. Nesses momentos de multa adrenalina, a sobrecarga sensorial impede o piloto de agir com a tranqüilidade necessária para evitar um acidente.

Peso ideal: como calcular

A primeira variável a ser calculada para diminuir os riscos ao saltar
com velames radicais é saber se o tamanho do pára-quedas é ideal para seu peso e experiência. As fábricas fazem recomendações para a relação peso e tamanho do velame. Isso quer dizer que o total de libras de peso do pára-quedista, dividido pelo tamanho do velame deve resultar em algo próximo ao que e recomendado.
A experiência pode influenciar na decisão do tamanho do velame.. Um pára-quedista com muitos saltos com um determinado tipo de velame pode forçar a barra e passar para um velame menor, criando uma relação diferente do que a sugerida pelo fabricante, mas é preciso cautela.

Velame grande ou pequeno?

Essa questão é muito fácil de ser respondida. Velames, pequenos servem para satisfazer o ego e, quando você não está saltando. servem para impressionar. Mesmo que o pára-quedista não utilize nem 50% dos recursos do pára-quedas, ele se senta bem quando alguém pergunta qual ê o tamanho de seu velame.
Se a resposta é “120”, quando na verdade deveria estar saltando com um 150, o nosso amigo gosta mais de fazer pressão do que de saltar.
Saltando ,com um velame maior o pára-quedista se sentirá mais confiante, fará melhores pousos e com isso causará melhores impressões, embora isso não deva ser levado em consideração.
Numa área onde salto regularmente dois pára-quedistas tem o mesmo peso e a mesma experiência. Um salta com um Stiletto 120 e outro com um 150. Aquele que salta com o 120 faz pousos padrão pois, com toda a razão, não se arrisca a fazer qualquer manobra para aumentar a velocidade do velame próximo ao solo. E como o velame é muito pequeno, sempre faz pousos ruins. Já o outro, mais confiante, sob um velame que lhe dá mais sustentação e estabilidade. aprendeu a fazer pousos com o tirante da frente. depois começou a fazer curvas de 90º e finalmente está fazendo belos pousos. E bem verdade que os pousos de alta performance são um capitulo à parte na emoção do nosso esporte para quem sabe dominá-los, mas também podem ser o capítulo final para quem não sabe.

Dobragem: como evitar twists e panes

O primeiro cuidado que você deve ter ao saltar com velames menores é com a dobragem. Sempre que eu vou saltar em uma área diferente ou boogie, procuro conversar com os dobradores e me certificar de que eles usam alguns princípios fundamentais. São eles:
1 – Manter as linhas totalmente esticadas e desembaraçadas o tempo todo;
2 – Colocar na bolsa com cuidado para não desfazer o que está feito;
3 – Ao fazer as bonecas, usar borrachinhas bem apertadas;
4 – Fazer bonecas com 7 cm, conforme recomendação da fábrica. Se as bonecas estiverem frouxas ou forem pequenas, via de regra acontece o fenômeno do Jiné dump, que é a saída do velame antes das linhas estarem totalmente esticadas, o que normalmente resulta numa pane.

Cuidados na abertura

Os riscos de colisão no momento da abertura são maiores com velames de alta performance. Como afirma John Leblanc, da PerformanceDesigns lnc., mesmo que seu pára-quedas abra de frente para outro, você deveria ter distância e tempo,suficientes para desviar com uma curva.de tirante traseiro.
Separação vertical não é sinônimo de boa separação.
Um bom track é fundamental para garantir uma boa separação, Por tanto, siga estes conselhos:
É multo comum as pessoas se enganarem, achando que estão fazendo um bom track e que a separação na abertura está dentro de limites aceitáveis. O motivo do engano é muito simples: “Depois da abertura, não vi ninguém perto de mim”, já ouvi dizerem. A razão pela qual não havia ninguém próximo está longe de ser um bom track com separação horizontal. A ilusão de estar distante vem da separação vertical, resultante do acionamento dos pára-quedas em momentos diferentes. O problema fica critico quando os velames abrem na mesma altura. Portanto, aprenda a fazer um bom track. Pergunte para quem sabe e treine no chão e no ar.
Posso garantir que não se chega ao track ideal com alguns poucos saltos. É preciso dedicação e vontade de aprender.
Aqui vão algumas dicas que ajudarão a melhorar muito a performance do seu track:
1 – Estenda a perna totalmente; pegue um ponto de referência no horizonte e mantenha a direção; não sele e fique com as pernas e braços um pouco abertos para manter estabilidade lateral. Se você já faz um bom track, continue fazendo o que já sabe e procure incrementar. Se ao se afastar de uma formação você estiver afundando em relação a ela, pode voltar ao básico.
2 – Logo após o acionamento, pegue os tirantes traseiros, cheque o seu velame e procure outros pára-quedas em rota de colisão. Se for o caso desvie puxando o tirante traseiro.






Ajude o velame a abrir no heading

Além dos cuidados com a dobragem do pára-quedas mencionados anteriormente, você pode fazer muito para manter os velames elípticos no heading durante a abertura. Em primeiro lugar é preciso desenvolver uma certa sensibilidade em relação a que está acontecendo com o pára-quedas no processo da saída da bolsa, “esticagem” das linhas e “inflagem” do velame. Ao sentir que o pára-quedas tem alguma tendência aos giros. procure neutralizar, colocando mais peso no tirante de perna oposto ao giro. Essa técnica é delicada, mas muito eficiente.

Procedimento de emergência

Os velames radicais, principalmente o elípticos de tamanho reduzido, podem ter panes também radicais, as quais o usuário deve estar preparado para lidar. Uma pane característica desses velames é aquela em que o mesmo abre com twist e girando. A intensidade do giro pode ser alta e como as linhas estão torcidas, não é possível anular o giro. Nessa hora é preciso desconectar e comandar reserva imediatamente.

Atenção: Certifique-se de que o principal foi liberado antes de acionar o reserva.

Em alguns casos recentes de pane, os pára-quedistas desconectaram e comandaram o reserva ao mesmo tempo. Por pouco não tiveram o reserva embaraçado no principal.

Cuidados na navegação

A primeira regra de segurança é manter o contato visual com todo mundo, o tempo todo. Logo após a abertura faça o cheque de velame. Procure se situar e decida se é melhor flutuar ou afundar. A decisão depende de vários falores:
Olhe ao seu redor e observe onde estão todos. Verifique se você está mais alto ou mais baixo que a maioria.
A linha de ação a ser tomada depende se seu velame é pequeno, ideal ou grande para o seu peso. De acorde com John Leblanc, você deve agir da seguinte forma:

1 – Se estiver mais baixo e com um vela e de tamanho médio, quando comparado com o grupo: pouse o quanto antes. Com isso você vai ajudar a aumentar o período de tempo e que os pousos vão ocorrer. Caso contrário, você poderá criar um tráfico perigoso.

2 – Se estiver na parte inferior, mas com um velame grande: provavelmente os velames pequenos vão ultra passá-lo cedo ou tarde. Para sua segurança é melhor que isso aconteça logo de cara. O melhor procedimento é segurar nos freios desde o início.

3 – Com um velame grande ou médio e na parte superior: mesma coisa. Procure segurar desde o início. Com isso você contribui para aumentar o período de tempo em que os pousos ocorrerão.

4 – 0 que acontece se você estiver alto em relação à maioria, mas com um velame pequeno? Segure nos freios e tente se manter junto aos velames maiores até encontrar um espaço no tráfego abaixo de você. Ai você afunda e procura preencher o espaço encontrado, que normalmente está logo à frente dos velames grandes.

Atenção: Nunca façam espirais quando houver mais velames no ar. Tome cuidados especiais com os outros na final, particularmente com alunos que fazem curvas em “S” para perder altura. Cuidado também com os imprudentes que fazem hook turns mesmo quando existem outras pessoas no tráfego e com os desorientados que aterram de cauda ou de través.

Pouso padrão

O pouso padrão com velames radicais não tem segredos. Aprenda a mexer nos batoques com suavidade. Coloque o velame de vento de nariz. Descubra o timing perfeito para o flare. Lembre-se de que o seu velame é um aerofólio e que como tal ele precisa de velocidade para voar, mesmo próximo ao solo. Se você iniciar o flare muito alto a asa perderá a sustentação. Faça um movimento suave e constante, sem batocadas, de modo a terminar o flare no momento em que os pés estiverem chegando ao solo.
A Performance Designs sugere que você pratique aproximações com velocidades diferentes para estar familiarizado com o comportamento do pára-quedas quando uma situação especial exigir que você esteja:
1 – Segurando no meio freio.
2 – Com um pouco de tirante da frente.
Alguns erros comuns ficam por conta do manuseio dos batoques.
Como já mencionei anteriormente, evite puxar e solar os batoques. Outro erro freqüente acontece quando o pára-quedista estende um braço, para se proteger e acaba aumentando a curva para o lado que esticou o braço.

Evite pousar fora da Área de Salto

Outra dica muito importante e que poderia ter evitado muitos acidentes está diretamente relacionada com o “ponto de abertura do pára-quedas”, e também a altura de abertura. Pousar um pára-quedas fora da área aumenta os riscos de um acidente. Se levarmos em conta que muitas vezes a razão de pousarmos fora da área é uma abertura baixa, então o problema fica ainda mais complicado, pois o tempo para tomada de decisões é menor. Assim, procure checar o P.S. antes de sair do avião e em queda, se possível. Planeje abrir o seu pára-quedas mais alto para ter uma margem de segurança, inicie a separação com altura suficiente para poder comandar no vazio.
Aprenda a lidar com as seguintes situações:
1 – PS.longo, com vento de cauda: use os tirantes de trás e procure encontrar o melhor ângulo de ataque. O uso freios também é válido;
2 – P.S.negativo, com vento de nariz: Empurrar os tirantes da frente;
3 – PS. no través do vento, venha “carangueijando”.

Continua em…
Como voar seu velame com Segurança – Parte 2

Fonte: Revista AirPress nº 84

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