A busca por um velame menor

Decidi escrever esse texto porque andei observando pessoas tomando decisões perigosas segundo o meu ponto de vista.
O assunto é a troca de velames, mais precisamente o famoso “downsizing” que é a troca de velame para um de tamanho menor.
Sei que muitos crescem no esporte vendo aqueles velaminhos mergulhando no céu, ouvindo aquele som do vento passando na asa, vendo os turistas no chão com os olhos arregalados vendo os pousos de alta performance e com tudo isso acontecendo fica difícil não pensar: ” eu quero pousar igual aquele cara” “quero saltar com aquele velame”.

O que estou percebendo é que muitos atletas iniciantes estão deixando de lado a parte da segurança na busca por um velame menor.
Quando vemos no site dos fabricantes a experiência necessária pra voar tal velame temos que tentar entender o porque disso.

Vamos usar o exemplo do sabre2 no site da PD:

Quando a PD diz que o sabre 170 é indicado para atletas do nível intermediário com peso de 170 libras( 77,2 kg) isso quer dizer que para o conjunto de acontecimentos possíveis durante o voo com o velame, uma pessoa de 77kg intermediário tem, teoricamente, experiência suficiente para contorna-los. O que não garante que o pior não possa acontecer.

Cabe a nos julgar o que seria um atleta iniciante, intermediário e etc.
Pra mim um iniciante (considerando apenas a parte da navegação) é uma atleta que tem 50~300 saltos e que tem frequência baixa de saltos,
5~15 saltos por mês.

Intermediário: 300~700 saltos, considerando a mesma frequência de saltos.

Tente manter uma única coisa em mente: se você não tem uma frequência alta de saltos, usar um velame de alta performance só te trará mais riscos.

Vejo amigos trocando do sabre para o stiletto, sendo que não realizaram nem 100 saltos com o sabre.
Isso é um absurdo pois o simples fato de conseguir pousar um velame não mostra que é o velame ideal para o atleta.
Em uma situação ótima, vento mediano e sem rajadas a pessoa pode saltar com um velame menor do que o habitual e conseguir pousar em segurança, mas isso não mostra que ela tem experiência suficiente para usa-lo nas mais diversas situações que podemos encontrar no dia a dia.
O ideal não é diminuir o tamanho do velame para depois aprender a usa-lo e sim aprender a usa-lo e depois diminuir o seu tamanho. E quando digo usa-lo eu quero dizer usar todos os recursos que esse velame pode oferecer.
Por que?? Segurança. Pois dessa forma você corre menos risco.

A seguir anexei um texto que encontrei em outro artigo aqui e que foi tirado do site da Icarus Canopies:

Classe 1
Velame de Aluno
.5 to .75 Lbs/SqFt carga alar.
Esta carga alar vai ter uma performance basicamente de um velame de aluno. Você poderá desejar escolher um velame nesta categoria se você não está certo sobre sua habilidade, dano físico ou falta de algum conhecimento, idade, ou como um velame de aluno. Um velame nesta classe não poderá ser usado em ventos acima de 15 nós. Estes velames são afetados facilmente pela turbulência.

Classe 2
Dócil
.75 to 1.00 Lbs/SqFt carga alar.
Continua uma categoria dócil. Este poderá servir para um aluno avançado, ou como primeiro velame para alguém preferindo errar no lado seguro. Novamente afetado por ventos fortes antes de que outros velames possam ser.

Classe 3
Categoria Média
1.0 to1.25lbs/SqFt carga alar
Esta categoria media é uma boa marca para começar a trabalhar. Estes velames tem carga alar suficiente para começar a se divertir já, baixo suficiente para uma competência razoável que um paraquedista inexperiente possa trabalhar como um primeiro velame (converse com seu responsável técnico) e continuar a ser um velame que desejam estar saltando com um par de centena de saltos. Isto igualmente está pegando na categoria que precisa ser tratada com um pouco de respeito, todavia tem uma razoável margem de erro. Muitos velames são vendidos nesta categoria. Para esta carga, a maior parte das condições de vento para salto não são problemas.

Classe 4
Alta Performance
1.25 to 1.65 Lbs/SqFt carga alar
Agora estamos nos divertindo! Nós igualmente estamos entrando em uma área de alto perigo! Velocidade das curvas aumentam, velocidade e a categoria de velocidade é aumentada rapidamente, tudo que nos é provido com uma negociação direta entre diversão e segurança. Velames nesta categoria necessitam voar para o chão! Arcos de recuperação são geralmente de 200 pés e movimentos nos batoques são percebidos mais rapidamente. Um alto grau de experiência é necessária para pilotar esta categoria de velame. Voando um velame nesta categoria deve ser feito pelo sentimento, cada manobra deverá ser bem planejada na frente porque as coisas estão indo bem rápidas. Com uma alta carga alar a turbulência vai afetar bem menos o velame, se afetar lembre que você está viajando muito mais rápido. Ser jogado a meio metro pela turbulência em um velame de classe 2 não vai afetar você ficar de pé; ser jogado meio metro no meio de seu mergulho balístico vai estragar seu verão. O mesmo ocorre para outros obstáculos (prédios, cercas, pessoas, outros velames etc) têm muito mais impacto em altas velocidades. Mesmo chão irregular ou área de pouso pequena podem ser considerados obstáculos. Estes velames continuarão a viajar horizontalmente em condições sem vento. Um pilotinho colapsável é recomendado. Abaixar o slider e afrouxar o tirante de peito é sugerido.

Classe 5
Extreme
1.65 to 2.00 Lbs/SqFt carga alar
Não para um coração fraco. Se você é uma das poucas pessoas que voam um velame classe 5 considere todos os aspectos do que você esta fazendo muito cuidadosamente. Em uma mão você tem uma velocidade surpreendente, resposta rápida e manobras poderosas. Na outra mão sua margem de erro é reduzida para nada, combinado por fatores que se nós errarmos, estamos viajando a uma velocidade que certamente poderá mutilar. Se você está considerando voar um velame classe 5 nós não podemos ensinar como voar neste aspecto, prevemos que já saiba o que está fazendo. Muitas pessoas que eu vejo voar velames classe 5 não voam eles ao limite do velame e a performance que poderá ser conseguida com um velame classe 4 voado até seus limites com uma margem muito maior de segurança. Estes velames geralmente necessitam correr para pousar. Eles precisam ser utilizados com pilotinhos colapsáveis. Recolhendo e colapsando o slider, e afrouxando o tirante de peito é recomendado. Os arcos de recuperação podem ser acima de 400 pés. O passo de uma velame classe 4 para um classe 5 é bastante grande, por exemplo: para um pára-quedista de 80 kg com equipamento e pesos a diferença entre um 105 para um 95 parece similar para uma diferença entre um 130 e um 105

Classe 6
BALISTICO ! ! !
2.0 to 2.4 Lbs/SqFt carga alar.
Se você está considerando isto, você não precisa de uma explicação. ;p ”

Lembrando que quando eles citam que um velame na classe 3 pode ser usado por mais de 200 saltos
isso não significa usar ate você completar 200 saltos (total de saltos na sua carreira), e sim 200 saltos com esse velame.
Ou seja, antes começar a usar um velame desse tipo você deve passar pelos outros níveis, o que pode durar 200-300 saltos.

Gostaria de fazer uma outra observação: Quando observamos aqueles pousos que brilham nos olhos dos turistas e até mesmo nos nossos olhos temos que enxergar alem disso. Aquela pessoa provavelmente salta TODO final de semana, trabalha fazendo vídeos e dando curso ou simplesmente salta MUITO.

Vou falar um pouco sobre a experiência que tive com velames para vocês terem uma ideia.
Meu primeiro velame, que comprei quando tinha 60 saltos, me dava a carga alar de 1.00lbs/sqft.
Eu realizava apenas 3 saltos por mês e por isso sabia que esse seria um velame que usaria por muito tempo.
Comecei a trabalhar como cameraman e passei a realizar 30 saltos por mês (o que pra mim era muito) isso me ajudou a evoluir muito com relação a parte de navegação de velame.
Mesmo assim continuei saltando esse velame por mais 200 saltos.
Decidi trocar para um velame menor, (lembrando que a minha frequência de saltos era de 30 saltos por mês) passei a saltar com um velame que me dava carga alar de 1,24 lbs/sqft. (classe 3, segundo a icarus)
E usei esse velame nos seguintes 400 saltos que fiz.
Vim para os estados unidos e aqui sim entendi o que é saltar muito, minha media de saltos subiu para 100 saltos por mês.
Acabei de trocar de velame para um da classe avançada, segundo a icarus, e pretendo ficar com esse por uma boa quantia de saltos.

Bom pessoal o que eu queria tentar mostrar pra vocês escrevendo esse texto é que não temos necessidade alguma de acelerar esse processo de troca de velames e que temos que pensar sempre pelo lado da segurança. Espero que usem essas informações como ferramenta para se manter sempre no lado seguro do paraquedismo afinal isso não é como dirigir um carro rápido, se você errar no paraquedismo o para choque é o seu corpo!!

Referencias:
http://icaruscanopies.aero/index.php?option=com_content&view=article&id=7&Itemid=653
http://performancedesigns.com/products.asp?product=sa

Nome: Thiago P. Goncalves
Nº saltos: 900+
Qualificações: Cameraman, Coach USPA, Tandem instructor USPA

5 thoughts on “A busca por um velame menor

  1. Ricardo Correia em

    parabéns pelo comentario a segurança no esporte é tudo

  2. Joao Paulo em

    Só nao entendo pq os atletas brasileiros gostam tanto do sabre1 e stiletto.
    Nao conheço o mercado brasileiro nem muitos atletas. Moro fora e trabalho como cameraman há tres anos. O sabre1 tem fama de aberturas violentas e pesadas e o stiletto de tecnologia ultrapassada onde um atleta que voa um stilleto e depois passa para um katana ou crossfire assusta o tanto que a asa mergulha em direçao ao chao nas pousagens, aumentando o risco de se machucarem. Penso que uma transiçao de asa mais consciente é sim necessária e as pessoas precisam se informar mais sobre como ter a performance maxima de determinada asa. Vejo atletas pousando crossfires, mas que na verdade poderiam estar pousando um safire com um performance muito melhor!! Enfim, boa matéria Thiago!! Blues skies!!

    • Andson Gomes em

      Thiago,

      Esse velames são tão populares porque tem muito usado no mercado local e também pela PD ser o preferido por aqui, devido a facilidade de revenda.
      Velames mais radicais, você até consegue vender e comprar de marcar não tão populares por aqui, pois quem vai comprar, já tem mais conhecimento e experiência, ao contrário de quem compra um Sabre 2, que ainda está iniciando.
      Sem falar no acesso. Quem mora nos EUA e Europa tem acesso muito mais fácil e barato aos equipamentos de ponta e novos, além de evoluir muito mais rápido devido ao custo reduzido dos saltos e túnel de vento.
      Acho que por isso você ainda vê muita gente conseguindo vender Sabre 1.

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