A Fundação do Centro Nacional

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Desde os anos 30 Boituva-SP, tem ligações estreitas Com aviões e pára-quedismo. Tudo começou meio por acaso. No entanto, não foi por um acidente que a cidade passou a sediar o Centro Nacional de Pára-quedismo, tornando-se referência obrigatória em matéria de pára-quedismo civil no país. Umas sucessões de acontecimentos foram dando mostras da identidade da cidade, irremediavelmente voltada aos céus.

Em 1930, uma forte chuva de granizo forçou o primeiro pouso em Boituva, o fato foi registrado pela revista “O ECO” de Porto Alegre-RS. Em 14 de setembro daquele ano um avião da Viação Condor inaugurava uma linha comerciar (São Paulo-Cuiabá) e devido às más condições climáticas pousou na cidade. Era apenas o começo.

A Viação Condor, nada mais é que a Varig dos dias de hoje.

Trinta e sete anos depois, a empreiteira responsável pela construção do trecho de Boituva da Rodovia Castel1o Branco, a Sermanso, necessitava transportar engenheiros com rapidez, construíram então uma pista de pouso. No mesmo o ano, Boituva, que ainda não constava em mapas rodoviários, aparece citada à pagina AGA-3-2 de uma publicação técnica aeronáutica.

Dois anos depois, foi registrada a escritura no Tabelionato de Porto Feliz a venda de uma área chamada sitio Campo de Aviação, de Desmonia Primo Pinezi à Alfredo Sartorelli. O nome do sitio, Campo de Aviação, aparece até hoje nos documentos do INCRA.

A idéia de tornar a cidade sede do esporte partiu do advogado Newton Raul Faria de Almeida. Em 71, ele coordenava a Corporação Musical Sagrado Coração de Jesus, quando promoveu uma apresentação de pára-quedismo para arrecadar fundos, já que a corporação passava por momentos difíceis.

Como apresentações aeronáuticas não podiam ter fins lucrativos, a saída foi confeccionar flores de pano untadas com parafina. No dia da apresentação cada espectador oferecia uma colaboração e recebia uma flor. O local foi tomado pelo público. Um avião decolou da cidade de Americana e fez três lançamentos no alvo improvisado com pó de serra. A apresentação foi um sucesso e rendeu uma boa grana banda.

Neste mesmo ano a União Brasileira de Pára-quedismo resolveu criar o CNP. A cidade de Limeira comprou a idéia e em outubro deste ano seus vereadores mobilizavam-se em busca da doação de um terreno para sediar o CNP.

Antes que Limeira o conseguisse, Newton Faria conseguiu a doação de 66.500 m2, por meio de escritura particular do Sr. Sartorelli e esposa.
O casal Sartorelli doou mais 27.708 m2 por comodato (empréstimo por tempo determinado
e renovável). Ainda em 71, em novembro, o Ministério da Educação e Cultura providenciou num prazo de 90 dias a implantação do CNP em Boituva.
Em março de 82 foi aprovada a bandeira da cidade, criada por Newton Faria, onde estão os dizeres Centro Nacional de Pára-quedismo.
No dia 06 de novembro deste ano, Newton Raul Faria de Almeida, que estará pra sempre na
história do esporte, morreu sozinho e doente numa cadeira de rodas, sem nunca ter sido reconhecido.

Texto: Maria Elisa Jorge Pereira

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