A evolução técnica na instrução do pára-quedismo

Algumas histórias, por mais que já tenham sido contadas, nunca ficam velhas. Elas permanecem interessantes sempre, porque a todo instante e em todos os lugares tem gente nova chegando na área, com sede de saber, vontade de aprender e uma dose imensa de curiosidade. É o caso de como iniciou o pára-quedismo no Brasil e suas técnicas de instrução que evoluíram bastante em poucos anos.
O primeiro cara a saltar de pára-quedas foi Andrew Jacques Garnerin em 1797. Mas o pára-quedismo teve início mesmo no meio militar. Foi utilizado para salvar tripulantes de aviões militares durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e ganhou importância na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), utilizado para infiltrar tropas na retaguarda da linha de defesa do inimigo. Naquele tempo, os pára-quedas eram redondos e o reserva ficava alojado na frente, na altura da barriga.

O início da indústria
Com o fim da guerra, o pára-quedismo passou a ser apenas uma atividade de treinamento militar, até que alguns pára-quedistas (em especial os norte-americanos) começaram a desenvolver artesanalmente, pára-quedas mais modernos e eficientes, que não servissem ao simples propósito militar de lançar tropas, mas que satisfizessem uma necessidade lúdica e esportiva. Nesse momento, lá pros anos 60, a indústria do pára-quedismo brotava em fundos de garagens.
As grandes revoluções foram os equipamentos piggy back (costas de porco) que alojavam em um só container os velames reserva e principal e, logo na sequencia, os velames retangulares. Esses, contribuíram para uma mudança profunda no sistema de ensino do pára-quedismo. A partir dos anos 70 surgiram várias escolas e clubes que ofereciam cursos para a formação de pára-quedistas através do método de ensino ASL. O curso durava dois meses. O PS se fazia através de sonda, não havia GPS para determinar a hora da saída e os aviões levavam quase 1 hora para atingir a altura de lançamento (4.000 pés). Alguns pára-quedistas “das antigas” aprenderam assim e assistiram de camarote a todo esse processo de evolução, até chegarmos aos dias de hoje, em que boa parte dos alunos aprendem a saltar pelo método AFF.

O grande salto na instrução
O curso AFF (Acelerated Free Fall ou queda livre acelerada) nasceu nos Estados Unidos na década de 80. Idealizado pelo lendário Ken Coleman, possibilitou um rápido desenvolvimento do esporte. O curso foi então regulamentado e desenvolvido pela USPA (United States Parachute Association, que este ano completa 60 anos), e trazido para o Brasil pelos irmãos Pettená – Ricardo e Marcos, que também trouxeram o primeiro equipamento Student (com a grande novidade de velames retangulares e disparador automático de reserva para alunos). Naquela época, o curso já era muito parecido com o que é oferecido hoje pelas escolas e, tanto a instrução como os saltos, aconteciam na cidade de Americana.



O AFF é portanto o mais moderno método de instrução do pára-quedismo e permite ao aluno experimentar a queda livre desde o primeiro salto, usando um equipamento individual. O curso é composto de 7 níveis.
Em cada nível é necessário cumprir um determinado objetivo (o que pode ser feito em apenas 1 salto), antes de passar ao nível seguinte. Nos 3 primeiros níveis o aluno salta com 2 Instrutores AFF e nos outros 4 níveis com apenas 1 instrutor AFF. E o salto de graduação é um salto solo a 5.500 pés.
Assim é o curso. Ou pelo menos era…
A Skydive University promoveu uma pequena revolução no esporte, inovando o método de instrução. Introduzindo algum tempo de túnel de vento antes do primeiro salto, otimizou o aprendizado, tirando o stress dos primeiros saltos dos ombros dos alunos, permitindo a eles focar única e exclusivamente nas técnicas de vôo do corpo em queda livre.

Como funciona o programa da Skydive University
A primeira parte do programa começa com treinamento no solo, em que o aluno vai aprender a posição básica de queda livre. Então, em 10 seções de 2 min no túnel de vento, o aluno vai desenvolver suas habilidades em queda livre sem precisar saltar de um avião. Isso garante que ele esteja estável em queda livre e apto a comandar seu pára-quedas antes mesmo de partir para o primeiro salto.
Na segunda parte, o aluno vai aprender o restante do curso AFF, ou seja, equipamento, navegação, consciência de altura, saída do avião e situações de anormalidade. Depois disso vêm os saltos.
No primeiro salto, como as habilidades em queda livre foram bem desenvolvidas, a ênfase é dada à saída do avião, consciência de altura, comando e navegação. É o único salto que o aluno faz com 2 instrutores AFF.
Depois ele faz mais 3 saltos com apenas 1 instrutor AFF e o 5o salto já é o solo a 5.500 pés. Para graduar, o aluno precisa fazer mais 3 saltos, onde ele vai desenvolver técnicas de voar o corpo.
São apenas 20 min de túnel de vento, seguidos de 8 saltos, assim como no AFF tradicional. Ao final o aluno desenvolve habilidades e confiança, como em nenhum outro método de instrução.
Portanto, já é possível experimentar a sensação de queda livre do primeiro salto, sem aquele medo de não conseguir ficar estável e com total controle do corpo.
Talvez longe da nossa realidade, já que não temos um túnel de vento no Brasil, essa é mais uma revolução no nosso esporte!

Texto: Paty Juliasz

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