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Equipamentos e Acessórios O ACONDICIONAMENTO DOS CORDÕES DE SUSPENSÃO

Moderado por mmancuzi

Mais tarde e com a evolução característica de quem treina (mesmo sendo pouca a habilidade), passei a conseguir abrir com as costas direitas (braços abertos, uma perna para a frente e outra para trás – os entendidos saberão por certo o nome desta posição. Eu já não o sei..). Foi nesta fase do meu estágio que, num dia ventoso em que não dava mesmo para saltar, chegou a Vivianne e após uma pequena reunião comigo se inteirou (visionando os filmes) de qual o meu “estado de graça” no Free style a fim de poder iniciar o treino para a prancha.

Deixou com o Collins (o rigger de Ampuria) a verificação do equipamento para se certificar se deveria alguma coisa ser alterada para a prática do Sky surf (sistema de abertura, especialmente). Tudo estava em ordem, o equipamento era novo. O Collins, achou por bem falar um pouco comigo, e foi precisamente sobre a hipótese de se prender um cordão do principal, na base do contentor do reserva. Resumindo, porque a conversa deu pano para mangas, a situação é a seguinte:

Desde há muito tempo que os saltadores quando preparam as tiras de suspensão do principal para meterem o saco no contentor, acondicionam os cordões fazendo com que estes contornem o contentor do reserva pela base. Eu mesmo me lembro de assim fazer e da maioria dos saltadores da nossa praça procederem do mesmo modo. Na realidade, tempos houve em que, apesar de no manual da vector (por exemplo) vir especificado que a forma correcta de o fazer não era esta, nada de mal havia em que assim o fizéssemos. Contudo, a evolução veio dar a volta à questão.

A evolução do pára-quedismo deu lugar ao aparecimento de novas disciplinas que possibilitam aos saltadores uma postura no momento de abertura dos seus pára-quedas totalmente contrária àquela para a qual eles foram inicialmente desenhados. Não pretendo de forma alguma afirmar que a posição de abertura tomada por estes saltadores é incorrecta, mas apenas que exige cuidados especiais para além dos normalmente tidos em conta aquando da abertura na convencional posição de “papo para baixo”. Este cuidado passa precisamente pelo acondicionamento da “sobra” de cordões que fica entre a ultima laçada de elásticos no saco interior e o anel desmontável (ou soft link) da tira de suspensão.

Junto envio um desenho (muito mal feitinho – que eu para programas de desenho tenho muito pouco jeito...) onde pretendo ilustrar a ideia que me pretendo transmitir.

Depois, há ainda um outro factor a ter em conta e que pode ser altamente prejudicial: o Cypres.

“Mas desde quando é que o Cypres pode ser prejudicial?” – perguntarão vocês. Calma, não é propriamente o Cypres, mas a forma como ele se “encaixa” no reserva e o volume que ele faz na base do contentor deste.

Se repararem, especialmente nos equipamentos que não vieram de fábrica preparados para o Cypres, todos os aparelhos ficam com algum relevo na base do contentor do reserva, ou seja a “parede que separa o reserva do principal não se apresenta plana mas curva. A base desta “parede” está mais metida para dentro que o meio. Desta forma torna-se muito fácil a um cordão passar por aí e encontrar um apoio capaz de o fazer prender. Depois, se os cantos do contentor não estiverem bem preenchidos com o reserva (experimentem carregar com a mão nos vossos) a pala de protecção da tira de suspensão empurra fortemente o anel desmontável (ou o soft link) contra este levando os cordões a meterem-se lá bem em baixo. Em alguns equipamentos onde não é tida em conta a forma de acondicionamento dos cordões, nota-se mesmo os pontos de fricção dos cordões precisamente nos cantos exteriores do contentor do reserva e na zona volumosa onde assenta o Cypres.

Vários acidentes aconteceram já provocados por este pequeno detalhe. Eis a lista de alguns dos intervenientes com quem tive a oportunidade de falar sobre o acidente: Marco Manna, Ivo Vandermaesen, Vivinane, Luke Verstreppen,... e eu mesmo... com quem não precisei de falar, claro.

Já agora, na maioria dos casos – o meu inclusivé, o contentor do reserva foi arrancado da base (parte que encosta ás costas). Felizmente a abertura, apesar da violência, deu-se de forma correcta não tendo necessidade de recorrer ao reserva... se tal fosse necessário... O arnês, um Atom, foi consertado na minha unidade (E.T.A.T.). Sei de um caso com um Racer em que a sorte foi madrasta e o saltador teve de se socorrer do reserva... cujo contentor estava praticamente solto...

Neste momento tenho um arnês da escola de um amigo que está a ser arranjado, precisamente pela mesma razão...



Estou à disposição para qualquer esclarecimento acerca deste artigo.
Desculpem a má qualidade do desenho



Paulo Moreira da Silva
SAJ/Paraq
Inst Q.L Op
AFF/Tandem
HAHO/HALO
Exército Portugês




 


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